O CAOS, ETERNA COMPANHIA

Sploot_1440

Cada instante de cada minuto é composto de microssegundos do que parece ser um caos sem sentido. A vida se assemelha a uma série de acontecimentos dispares atados misteriosamente por fios invisíveis sobre a tela do Infinito. Mulher e homem aprendem a manejar as correntes do aparente para construir um significado que suavize a profundidade do abismo que sempre existe em nosso interior.

Crescemos com a convicção de que precisamos de alguma coisa para nos tornar o que queremos ser, fazer o que nos apetece ou simplesmente para sermos felizes. Apenas toleramos a intensidade do vazio que se insinua em uma insondável solidão. Sabemos sem saber que somos uma mera gota no caos do infinito… e o negamos.

Todos nós passamos por uma etapa de busca apaixonada fora de nós mesmos. Nesta fase, não distinguimos as necessidades corporais das necessidades emocionais ou da alma. Queremos “estar próximos” de algo maior ou de algo que nos dê segurança ou de alguém com quem possamos compartilhar tudo. Na mulher, a ressonância emocional desta aspiração é quase obsessiva. As necessidades dos homens são um pouco diferentes, mas igualmente imperiosas.

Implacavelmente sustentamos a esperança de encontrar alguma coisa ou um companheiro, mas uma experiência de carência atrás da outra só traz insatisfação. Trabalhamos com isto, melhoramos ou mudamos o cenário. Nas relações, repetimos as fórmulas que não passam de variações sobre o mesmo tema da “metade da laranja”. No final, nos ajustamos a um tipo de “ajuste”: um pouco de compreensão, alguma coisa de sensibilidade compartilhada e talvez muita atenção física. Ou pode ocorrer muito desafio intelectual, menos atividade física e zero de compartilhamento emocional.

Projetos e mais projetos, e sempre começamos novamente. Aceitamos as proporções oferecidas pelos meios disponíveis e nos conformamos. Empanturrados por descrições e justificativas inadequadas, perdemos contato com o anseio inicial que incluía a alma e que, apesar de nós, nos arrebatava em seu senso sem motivo nem razão. O caos sempre próximo, sempre inquietante, desestabilizador e devorador, nos destroça o coração para recriá-lo novamente.

O caos e o vazio se confundem.

Buscar seja o que for fora de nós é extenuante. Amadurecer significa aceitar que ele está ali e abandonar o devastador sussurro interior. E, assim, nos ajustamos a menos, muito menos do que sonhamos.

Nada nos preenche. Ninguém pode mover a energia ou fortalecê-la e refiná-la a décimos do “sou completo”! Ninguém mais está dentro de nós ou sente o chamado secreto e imperioso que sentimos.

Quando as criações inúteis e as artimanhas se desvanecem em ondas de incessante reformulação, ficamos sós. Nós e o ardente vórtice que sempre espera como um amante paciente. O perseguidor e o perseguido se fundem em uma exaltada unidade e a vida adquire sentido em uma desordem prevista.

Então… a criatividade, agindo como um imã sagrado do nosso interior, espelha o que somos, seremos e sempre fomos. Nossas relações, como fruto divino da integridade, emanam plenitude. Reconhecemos o Caos como a experiência de alinhamento com o Todo em nosso interior.

Paciente Amante

Publicado originalmente 23 setembro 2013

Tradução: Cláudia Avanzi

 

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Suscribirme a La Mujer Interior

Mantente informado de las novedades del blog por email