CONHECE-TE XXII: O SALTO

 

Continuação de Conhece-te XXI Colocar-se de Lado

http://www.lamujerinterior.es/?query=colocar-se+de+lado

 

 

Não é mais suficiente colocar-se de lado e “olhar para si mesmo”. Para ser inteiro, é necessário retomar, integrar e se responsabilizar-se pelas energias que o egoísmo da personalidade se apropria com seus automatismos.

 

 

“O Salto” define o fim da autoindulgência

Que alimenta o egoísmo.

 

(Inspirado na fórmula cômica “Stop it!” de Bob Newhart)

https://www.youtube.com/watch?v=Ow0lr63y4Mw

 

ALQUIMIA INTERIOR nos ensina a distinguir entre o observador (um estado neutro) e o pensador (o pensamento comum que reflete nossos interesses) em um processo contínuo de introspecção. É difícil de atingir este estado quando o pensador se considera um observador inteligente.

 

Os pensamentos se enlaçam naturalmente formando uma cadeia automática de estimulação progressiva que tempera nossa vida. Acreditamos que nos definem e que os controlamos, mas são autoindulgentes, prazerosos, compulsivos, sensuais, obsessivos e dominadores. Prometem independência, autossuficiência e importância. Possessivos e zelosos, eles constroem uma identidade poderosa e ensimesmada que nos controla e não deixa muito espaço para a Consciência livre e altruísta do Ser. De forma sigilosa e automática, eles nos impactam. Sua insistente repetição reforça esta nossa convicção.

 

A dinâmica do pensamento mobiliza e qualifica os campos energéticos físicos, emocionais e mentais que emanam de nós, de acordo com interesses e prioridades próprias. Gera e perpetua a auto-identidade e sua conveniência, convertendo-se em uma arma tanto defensiva, quanto agressiva. É alimentada por um suporte sensorial importante que cria “apegos” e fomenta agitação constante. O ser humano normal, para retirar a energia desta dinâmica, precisa privar-se de uma intensidade física que o define. Deter o “momento” ou impulso desta dinâmica assemelha-se à força requerida para parar um tsunami em sua expressão plena.

Estamos falando do “elemental”, a construção pessoal que faz acreditar que sabemos e podemos tudo. A seu ver, só existem dois tipos de pensamentos: os bons e os maus. Os “maus” refletem situações e temas que nos incomodam. Os “bons” se adaptam e protegem nosso status quo, comentando, avaliando e criando estratégias de continuidade. Em principio, nós nos convencemos que para sermos felizes precisamos superar os desconfortos com promessas ou pensamentos positivos, criando assim uma base formada por opiniões e sensações incomodas e nocivas para a saúde e para as relações, roubando de nós a espontaneidade e a autenticidade. Ambos os tipos de pensamentos servem ao mesmo propósito: automatizar-nos.

 

A maioria dos conteúdos que passam pela nossa mente tem relação com o que fazemos, com as rotinas, obrigações, nosso entorno, gostos e relações. Os pensamentos formam conclusões, comparações e estratégias baseadas no hábito, resultando na diminuição das indagações, da curiosidade, da sensibilidade e da garantia da comodidade e conveniência. Asseguram a integridade do elemental desviando a responsabilidade e a culpa para outras pessoas ou para o ambiente.

 

Mas, há algo mais inteligente do que o elemental: a Consciência. Na Alquimia Interior, identificamos onde colocamos a Consciência e como manejamos os pensamentos que geramos. Estes pensamentos são, por um lado, responsáveis pela tensão e instabilidade e, por outro, são responsáveis também pela percepção inteligente.

O propósito desta conscientização é a transformação da nossa energia em algo construtivo. Para isto, é preciso praticar a observação-sensível que é incomoda por exigir nossa atenção. Implica em parar de fomentar constantemente nossos problemas, medos, opiniões, comentários estúpidos e condicionais que limitam nossa vida à sobrevivência e ao sensorial.

 

Os pensamentos mais difíceis de identificar são os comentários e críticas espontâneas que vão se acumulando até criar uma atitude, uma negatividade invisível que vagueia indisciplinadamente, alimentando queixas, irritando-se com minúcias e pequenas falhas, sempre comparando e fantasiando. É o raciocínio que rumina depois das discussões e mal entendidos, disfarçando dúvidas e inveja.

 

Nossa fórmula do “Salto” volta-se para a observação-sensível. Perguntamos constantemente “quem” (que voz ou pensamento) está opinando, comentando, falando, se é o pensador ou a Consciência como observador sensível.

 

Na Alquimia Interior, nos acostumamos a vigiar o pensamento, a nos olhar, a colocarmo-nos de lado e a sentirmos-sentindo. “Ver-nos” de forma transparente nos obriga a retirar a energia que sustenta o automatismo. Assim, paramos com os gatilhos habituais: as ofensas-desejos que asseguram a dose regular de emoções e sensações. No entanto, por alguns momentos quase intoleráveis, não sabemos como controlar as tremendas forças que liberamos. Então, vem a segunda parte do trabalho: não somente sustentar a Consciência, mas também a sensibilidade do observador.

 

 

 

 

Processo de liberação e resgate da energia: a chave está em sustentar conscientemente a sensibilidade corporal e emocional

 

  1. Aceite que os pensamentos – TODOS – são seus. Ninguém o obriga a eles.

 

  1. Identifique seu propósito. O que o interessa que está por trás deles? Qual é o seu investimento nisto? O que você ganha com isto?

 

  1. Diferencie a voz do observador-sensível por trás do pensador autoindulgente.

 

  1. Alterne o enfoque do pensador com o do observador e avalie os efeitos. Sustente a Consciência e todas as energias que agora surgem.

 

  1. Sinta-observe os movimentos energéticos que esta perspectiva produz em seu corpo, emoções e mente. Este é o momento crítico de onde costumam surgir as garras do elemental vindas da comodidade ou do cansaço, como um viciado em drogas.

 

  1. Sustente a voltagem energética (emocional, mental e física). Foque somente na energia. Perceba-a como um fluxo contínuo, sem etiquetas (cada etiqueta alimenta o raciocínio do Elemental). Mantenha sua atenção no Alinhamento Alquímico, nessa passagem da Consciência que circula em todos os seus centros e em seu corpo. Esta é a parte mais difícil em que seu corpo se esforça para encontrar uma razão para escapar, explicar-se, culpar e justificar-se.

 

  1. Mantenha sua atenção na energia neutra e potente que você impõe na vigília-Consciência do observador.

 

  1. Afirme em plena Consciência:

 

(assumindo as energias)

Eu sou tudo o que creio a qualquer momento

São minhas criações e minha energia

Sou tudo isso.

 

(desidentificando-se do significado)

Eu NÂO sou estes pensamentos e estas sensações não me definem nem controlam (repetir isto muitas vezes).

 

Eu Sou a Consciência que observa.

Eu Sou o Poder que cria e controla (repetir isto muitas vezes).

 

 

Agora, resgate a energia das suas criações tirando os rótulos (significados) anteriores.

 

  1. Quando se sentir estável, repita várias vezes a seguinte afirmação com neutralidade e poder:

 

EU SOU O ÚNICO PODER RESPONSÁVEL PELO MEU MUNDO.

 

 

Conscientize-se da realidade que produz e reconheça que você escolhe os efeitos da sua vida com cada pensamento.

 

Realize o Salto para uma vida consciente.

 

  1. Sustente este foco de Consciência enquanto respira profundamente e finaliza a neutralização de TODA a carga do elemental.

 

Reconheça e aceite o Poder que é da Consciência. É seu.

 

Dar O SALTO requer apenas um instante para se liberar e retomar seu Poder e encontrar a sua verdade.

 

 

Sessão de demonstração com Zulma Reyo

 

EXPERIENCIA DE UM ESTUDANTE:

Sessão relatada por um estudante

Contexto: Entrei em uma batalha comigo mesma e com minhas reações habituais quando me sinto criticada e julgo injustamente. Por mais que analisasse a situação, não conseguia mudar a avalanche de pensamentos, sensações e emoções de vitimização que me dominavam. Uma intensa combinação de raiva e impotência. Mal conseguia controlar as expressões do meu rosto.

Zulma: Faça o Alinhamento.

Experienciei o alinhamento de maneira muito física, lenta e deliberada. Senti a figura de luz como uma conexão com a Terra (raízes) e uma estabilidade como uma fonte de vitalidade. Precisava desta sustentação e apoio. Reconheci que meu estado era produto dos meus pensamentos e não podia controlá-los. Continuava a alimentar o processo.

Z: Respire fundo. O que sente neste momento? Algum bloqueio físico… Não o dissolva. Permita e intensifique a sensação. Sustente.

Notei meu corpo vazio e contraído. Havia um acúmulo energético no plexo com tons alaranjados e avermelhados. Quente. Uma raiva terrível.

Projetaram-se imagens dessa energia saindo de mim e acabando com tudo ao meu redor, como toda fonte de possível dor. Também senti medo do que poderia chegar a fazer.

Z: Seja honesta com você mesma. Não justifique o que está pensando ou sentindo, nem corrija nada. Desnude-se diante do que está passando.

A emoção mais forte é a raiva por não poder sair deste estado, mas está claro que é uma justificativa habitual. Sinto uma impotência enorme por não atender as expectativas, por fracassar na avaliação, por ficar exposta… por minha própria impotência.

Z: Continue respirando fundo. Sinta este acúmulo de energia. Em vez de negá-la, faça-a tua. Sinta como isso que criou é você. Tua força e tua energia.

 

Pouco a pouco, com a ajuda da respiração profunda, sinto que, apesar da resistência do elemental, que oscila com rapidez, minha energia se torna mais redonda até envolver todo meu corpo, sem perder sua força. Percebo um formigamento sob a pele.

 

Z: Agora, aproprie-se do seu estado atual, das energias, de todas as emoções – a raiva, a dor dessa menina pequena abandonada que existe por trás disso… Sinta sem justificativas. Simplesmente observe. Permita-se expressá-las, se necessitar. Se precisar, chore sem alimentar os pensamentos. Deixe que saiam as lágrimas e observe.

 

Sinto, choro… Enquanto respiro e tento conter tudo o que se move dentro de mim. Tudo está em movimento. Continuamente, os pensamentos cruzam, escuto partes do processo das minhas companheiras, me perco, recupero a intenção… Tudo rapidamente e em silencio.

 

Z: No se perca no movimento das outras pessoas. Fique com a sua experiência. Visualize-se dentro do Tubo de Luz.

 

Fiz isto e se estabeleceu um diálogo interno:

 

Elemental 1 – Por isto me vendo, não sustento a dor do outro.

Elemental 2 – Solte o pensamento, está se prendendo novamente.

 

Elemental 1 – Mas, não posso me isolar.

Elemental 2 – Faça o que estão dizendo.

 

Elemental 1 – Já acabou? Vamos ver se estou bancando a boba.

Elemental 2 – Desculpas. Sempre procura se justificar. Só quer se sair bem.

 

Ao mesmo tempo, há uma terceira perspectiva observando tudo em silencio, com serenidade, alheia a este movimento interno frenético. Zulma me faz olhá-la nos olhos e sustento seu olhar.

 

Continuo respirando profundamente. Há momentos em que vejo os movimentos do elemental, em tons de roxo e grená por trás dos meus olhos.

 

Em dado momento, tento “elevar” minha consciência, fazer o que acredito que tenho que fazer, mas é como um foguete sem energia suficiente que não chega a lugar algum. Noto que isto também é uma tentativa do elemental para assumir o controle da situação e consertá-la a sua maneira, evadindo-se.

 

Z: Fique onde está. Não vá a lugar algum. Não é necessário. Somente abra-se para o que você gerou e acumulou dentro de si.

 

Repita: EU SOU ISSO algumas vezes.

 

“I AM THAT, THAT I AM” /EU SOU O QUE EU SOU…

 

Afirmo internamente, mais desesperada do que confiante, querendo recuperar-me, como me senti em outras ocasiões.

 

Z: Tudo isto é você, tudo isto… é seu!

 

Rio, choro…

 

Z: Isto também faz parte disso… Seja um “tanque” feliz!

 

Solto uma gargalhada! É exatamente um dos medos que me assediam, o de ser forte demais, que os outros me vejam como um “tanque”!

 

Ao aceitar, minha percepção se eleva e se amplia. Vejo uma flutuação, quase como um vapor sobre a minha cabeça, e me abro para isto, enquanto continuo repetindo “I AM THAT I AM”.

 

Sinto uma inteireza, uma serenidade potente… Sinto-me completa com minhas energias…

Sou eu.

 

 

Tradução: Cláudia Avanzi

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