CONHECE-TE XI: Recalibragem

ZULMA REYO

Publicado em 22 julho 2013; original em  theinnerwoman.wordpress.com

CONHECE-TE XI: Recalibragem*

  • Palavra não dicionarizada na língua portuguesa.

(Continuação de “Conhece-te X: A Forma-Pensamento da Personalidade”)

Os elementos fogo, água, terra e ar são a vida. Como um imperativo, criam movimento. Nossa Consciência, como fonte, tem sido e sempre será livre. Mas, nossos corpos são construídos pelos elementos e oferecem um mapa com a rota para a criação como evolução e expansão da Consciência ao facilitarmos a experiência. Tudo na Criação está relacionada à experiência.

Seja por opção ou por acidente, nascemos dentro de uma configuração de elementos. O que importa não é a configuração, mas o benefício que podemos obter dela. A configuração oferece-nos lições no manejo e na criação de sete tipos predominantes de atuação.

Como Consciência, assumimos cada tipo de atuação e predisposição; nosso livre arbítrio faz o resto. Essencialmente, não existe culpa nem censura já que, eventualmente, ou imediatamente, somos nós que tomamos as decisões. Tudo, desde o momento em que saímos da Unidade até o regresso a ela, é um baile que define nossa diferenciação e processo de individuação.

Cada uma das sete combinações dos elementos tem o poder de atrair substância e de direcionar para uma personalidade específica. São forças naturais da Criação, todas partindo do ingrediente coesivo singular do universo: o Amor. Da mesma maneira que tem o poder para construir sob o comando da Unidade, também tem o poder de gerar negatividade sob o jugo ego. Nesta última modalidade, as sete combinações dos elementos são conhecidas como os Sete Pecados Capitais.

O comportamento humano trata do manejo de força e equilíbrio e não de psicologia. A espiritualidade tem relação com o aprender a neutralizar a negatividade, a sustentar o equilíbrio e a compreender a lei do retorno energético.

As energias são diferentes somente no ritmo vibratório. Energias elementais, que compõem o egoísmo da personalidade sob uma vontade altamente personalizada, reforçam os propósitos separatistas, competitivos e egoístas do ego. Quando a Consciência resgata o egoísmo e desencadeia o processo de requalificação, refina a natureza da criação do indivíduo.  Para que isto ocorra, temos que fazer uma clara distinção entre os pensamentos que acompanham a força elemental e as forças propriamente ditas. Temos que identificar o Eu como inteligência que direciona.

Nossas pequenas formas-pensamento comuns, automáticas e negativas se encaixam dentro de um corpo ressonante de formações coletivas, terríveis e sinistras que correspondem aos instintos e desejos mais baixos da humanidade. Devolvem uma marca específica de egoísmo baseado em uma ou em uma combinação de forças elementais mal qualificadas.

Somadas ao prazer sensorial e ao sentimento de especialidade, estas transgressões promovem sofrimento em vez de espalhar alegria; injetam decadência e corrupção em vez de multiplicar a vida e a consciência. Corrompem a beleza, a santidade, a abertura, a abundância e o amor, enquanto outorgam ao indivíduo um sentido de poder e pertinência que o prende mais profundamente à densidade e ao isolamento. Consomem grandes quantidades de energia. Por exemplo, na ira e na luxúria, níveis proporcionais de inércia bruta compensam a energia dissipada em impulsos de participação quase estática.

Vórtices de pensamentos coletivos do subconsciente, carregados de pressão emocional, são abundantes em todos os lugares públicos e envolvem um número crescente de pessoas. Qualquer assalto intenso aos sentidos cria uma abertura na aura pela qual podem entrar e obscurecer o processo de pensamento. Estamos continuamente sujeitos a estímulos massivos do ambiente que debilitam gradualmente nossa defesa natural.

Uma grande parte da humanidade está claramente condicionada por formas-pensamento que passam a dominar parte ou a totalidade do corpo e da personalidade, desconectando as pessoas do acesso direto à Fonte. Definimos uma forma-pensamento negativa pelo grau de obsessão, excesso e perda de controle experimentado pelo sujeito.

FUNDAMENTOS E COLUNAS

Na base do edifício do egoísmo da personalidade, existem duas pedras fundamentais: o medo e o engano. No ápice de todo êxito humano, existem, de forma semelhante, duas colunas: a Fé e a Verdade. Ilustram dois padrões distintos de percepção e comportamento gestados nos ambientes em que se desenvolvem.

O medo ocorre quando o indivíduo está inteiramente identificado com o corpo, a matéria e alguma perda implícita. Tem muito pouca consciência do Eu. Uma pessoa temerosa, e aqui não importa a razão, segue cegamente pessoas, regras e regulamentos para se sentir “segura”. Sua percepção define-se pelas flutuações emocionais e por uma imaginação ativa.

Em sua forma crua, o medo constrói tanto uma imagem do indivíduo severamente inflada, quanto uma imagem desinflada ao extremo, defensiva e acusadora. Pessoas medrosas são agudamente sensitivas e indiretas, sempre se preparando para o pior e projetando perigo. Seu sistema nervoso é suscetível às menores alterações. Por outro lado, o medo as deixa anestesiadas com precauções desnecessariamente complexas.

Quando uma pessoa deste tipo torna-se consciente do “mecanismo” do medo, é capaz de construir sobre sua fé fundacional. Aprende discernimento e discriminação. Cultiva qualidades de beleza, calidez e afeto baseado na sensibilidade profunda. Sua experiência conhece a fragilidade humana e, portanto, honra-a, tornando-se profundamente compassiva, observadora cuidadosa e tolerante. Na base, encontramos a coragem como atitude de vitória espiritual que lhe permite manifestar a convicção do coração.

O engano esconde. Seu comportamento irrompe com um sentido de autossuficiência. Obcecado pela execução, desenvolve uma habilidade notável para fingir. Compulsivamente competitivo, busca êxito e prestígio em qualquer nível social em que se encontre. Diferentemente da pessoa medrosa, não sente as emoções com facilidade e compensa isto com uma mente multitarefa que pode mentir e ser tão descuidado como a pessoa medrosa é cuidadosa.

Por ser multifacetada, a pessoa espiritual deste tipo desenvolve grande competência e confiança. Sabe como gerar entusiasmo e inspiração, flexibilidade e, agora, honestidade. Conhece o preço da verdade, da esperança e da estima.

Sobre estas bases, ou erguidas sobre o ápice das duas colunas, encontraremos todas as qualificações da expressão humana. Seja medo e engano ou, inversamente, coragem e verdade, estas são as pedras angulares de cada vício e cada virtude no dicionário humano. Fazem parte da parcela da experiência humana como personalidade.

Em detrimento da coragem, da verdade e de um equilíbrio necessário para o avanço espiritual, as características de comportamento inclinam-se mais para um atributo, seja físico, emocional ou mental, exibido pelos elementos. Os tipos mais físicos tendem a abusar do sistema nervoso mediante uma superestimulação dos sentidos. Os mais emocionais são incapazes de se disciplinar o suficiente para harmonizar os sentimentos que os espreitam e que criam estragos no corpo físico, principalmente coração e órgãos viscerais. Por sua vez, os mais mentais confundem-se continuamente com dúvidas, superexcitando as faculdades mentais e lastimando-se mais e mais.

Em um mundo melhor, todos teremos consciência das nossas tendências pessoais para a negatividade dentro do estilo que nos caracteriza. Por sua vez, saberemos como extrair o melhor de nós mesmos, dada nossa experiência no manejo das forças sob nosso comando. Da mesma forma, formataremos o que há de melhor em nós sem castigo, nem culpa. Compreenderemos, sem qualquer dúvida, que nossa experiência com a armadilha em que caímos já trouxe suficiente sofrimento.

 

Tradução: Cláudia Avanzi

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