CONHECE-TE X: A PERSONALIDADE É UMA FORMA-PENSAMENTO

 

Zulma Reyo

Continuação de “Conócete” II, IV e V

É admirável lutar pelo que acreditamos, pelo que nos apaixona, pelo que amamos e sustentamos como um ideal no mundo que nos oferece a liberdade de expressão. Estas coisas poderiam definir o que nos agrada e o que nos diverte, mas seria ir longe demais e nada apropriado dizer que definem “quem” somos. É absurdo quando uma pessoa se identifica com etiquetas que descrevem a aparência, as características de comportamento, a religião ou até a preferência sexual dizendo “isto é o que sou!”. Estas são qualidades, sentimentos e crenças que envolvem a força interior que lhes dá poder. A sociedade apoia este processo rápido de identificação, que permite nos manejar como se fossemos um produto. O pior, muito pior, é que definimos uns aos outros e a nós mesmos desta maneira.

Um ser humano não é um objeto que possa ser definido. A psicologia pode observar o comportamento da personalidade e catalogá-lo, mas nunca poderá etiquetar um ser humano. O ser humano representa um espaço amplo de possibilidades: um foco central, invisível e todo-poderoso que cria a si mesmo e a seu mundo. Por meio da sua vontade, constrói todos os tipos de formas, qualificando-as e dirigindo-as ao mundo para jogar com elas e vivê-las. É livre para aderir a qualquer forma que concebe e livre para criar uma infinidade delas. Um ser humano é independente de suas criações. Devemos compreender isto se queremos ser pessoas poderosas e felizes que possam alterar o mundo favoravelmente.

“O que sou?” talvez seja a pergunta mais importante que um ser humano possa fazer. A resposta determina se é livre para criar e viver suas criações plena, consciente e arrebatadamente ou se permanece aprisionado pelos estilos, pressões e tempos da mente coletiva. Obviamente, descobrir o que realmente somos não está entre os interesses da sociedade.

Somos uma fonte eletromagnética e temos a habilidade para usar a matéria pelo fato de estarmos imersos nela. Nossas criações mais importantes são o corpo e a personalidade. Nós os modificamos constantemente e todas as demais criações nossas partem desta perspectiva básica. Tudo o que fazemos nesta terceira dimensão é um jogo de energias que emitimos e recebemos, criando um baile com os elementos. Estamos constantemente manejando água, fogo, terra e ar por meio de cada desejo, rejeição e projeção, grande ou pequena, emitida ou percebida. Cada forma obedece à vontade do emissor e regressa a ele com força maior. Este é um fato que pode ser bom ou terrível.

Nossa personalidade está composta por uma infinidade de unidades menores, ou seja, pensamentos animados pelo apego emocional. As preferências, manias, obsessões, gatilhos, condicionamentos e reflexos determinam o comportamento que exibimos. As subpersonalidades adquirem vida por meio do nosso envolvimento, alimentando-se das energias liberadas pelo corpo, mente e emoções. Elas permanecem ao nosso redor, seu criador, até que, esfomeadas, exigem, uma vez mais, que as alimentemos. Produzem uma experiência tão intensa de identificação com a própria pele, com o sentimento pessoal e com a crença subjetiva que não é de surpreender que o sujeito chegue a acreditar que “isto é quem sou!”.

Não temos consciência de construir as formas-pensamento da personalidade. Apenas respondemos aos imperativos do corpo, apetites emocionais e ideias atraentes. A identificação ocorre depois de um período de tempo. Respondemos a hábitos em casa ou seguimos a corrente da atualidade, a moda, as necessidades e as conveniências da época. De repente, o comportamento que demonstramos parece comprovar que isto é, de fato, o que somos e não temos lembrança de ter dado permissão a esse comportamento. Os pensamentos e sentimentos dos outros se aninham, então, em nosso corpo, mente e emoções.

Tanto tempo quanto o que existe a humanidade, e talvez antes, as formas-pensamento tem estado no núcleo dos ensinamentos espirituais em círculos fechados. Uma forma-pensamento é uma unidade que contém os dois tipos de poder que o ser humano possui. Requer, portanto, a ativação dos nossos poderes naturais: a mobilização de energia vital, mental e emocional. E requer, também, Consciência diferenciada.

Assim em cima como embaixo, em nosso mundo de todos os dias, alimentamos nossas criações com nossa própria “substância”, embora sejamos incapazes de ver isto acontecendo. As criações podem ser tangíveis e intangíveis, tal como os anseios, os desejos, um pequeno projeto. Cada criação começa com um molde que construímos por meio da visualização e do sentimento. Em outras palavras, por uma imagem mental e uma emocional. Cada imagem projeta energia vital. Este é conhecimento energético padrão nas tradições esotéricas. As formas-pensamento são o ingrediente básico da Criação.

Nem todas as formas-pensamento são iguais. Uma forma bem feita é construída por uma mente focada, colorida por energia emocional suficientemente flexível para sustentar as flutuações da nossa libido e das influências do mundo ao redor. É uma construção deliberada e não um vago desejo, uma expressão de ira repentina ou um pensamento-desejo. Se a emoção é suficientemente forte, a forma-pensamento tem possibilidade de durar e alcançar seu objetivo efetivamente. Se a criação está construída sob o impulso emocional, projetará este tom a seu objetivo.

A qualidade da emoção determina a forma-pensamento e seu alcance. Um pensamento construído sem emoção permanece com quem o criou, rodeando-o e, com frequência, aderindo à sua aura. Uma emoção equilibrada e consciente, quando veste um conceito inteligente, anima-o e o mobiliza em direção a seu fim com êxito, trazendo em seu regresso o mesmo conceito ampliado. As formas-pensamento personalizadas, e não importa o quão poderosas sejam, são emitidas com velocidade supersônica, mas realizam caminhos que são extenuantes para seu criador.

Para meu grande horror, Daskalos, o mestre que me ensinou isto, dizia que uma vez criada, a forma-pensamento nunca poderá ser desfeita. Como extensão de nosso próprio ser, ou personalidade, nossa criação vive para alcançar seu objetivo. Não há arrependimento ou outras intenções que alterem isto. O único recurso é se conscientizar e construir formas-pensamento paralelas que, até certo ponto, possam aliviar os efeitos severos produzidos por desejos ou formas-pensamento impulsivas, pessoais e emocionais gerados automaticamente.

A sociedade atribui tremenda importância ao pensamento positivo e à aparência harmoniosa, mas não nos ajuda realmente a construir formas-pensamento positivas. Pouca atenção é dada ao importante ingrediente que é a qualificação emocional. Quando uma forma-pensamento é acompanhada por emoções realistas, sensíveis, inteligentes e geradas conscientemente, os efeitos são duradouros, curadores e reestruturam nosso mundo. As emoções geradas deveriam ser tão potentes quanto a clareza do pensamento. Juntos criam uma condição humana melhor.

Dada nossa condição, infelizmente, na sua maioria, os pensamentos são criados automaticamente, de forma acidental, mal formados, caprichosos, confusos e carecem de precisão e da força de uma mente bem formada. As emoções são produzidas da mesma forma. Dispersam-se quase imediatamente, criando lixo ao nosso redor e no mundo astral, irritando a todos os que nos cercam e pesando sobre nós, em lugar de criar revoluções genuínas. Assim, estes maus hábitos contribuem para a discórdia em nosso mundo.

Então, o que podemos fazer? Cabe pensar que temos que nos conscientizar urgentemente sobre os temas dos nossos pensamentos e emoções e da qualidade energética que disparamos automaticamente. Distanciarmo-nos de nosso pensamento somente reprime as formas-pensamento, enterrando-as mais profundamente. Substituí-las apenas imprime uma forma mais digerível sobre a versão antiga sem tocar nas emoções de base que continuarão atuando. Criar um espaço entre os pensamentos, como nos ensina a meditação oriental, ajuda a liberar nosso apego, mas não alcança a causa dentro da natureza do meditador que continua a criar mais do mesmo. Somente a observação com consciência e o manejo consciente dos diferentes tipos de força como experiência nos permitirão dominar a construção de formas-pensamento até que se convertam em veículos positivos que sirvam a propósitos evolutivos.

O que somos é inteiramente independente das nossas criações, mas o que “pensamos” ser está totalmente aprisionado por elas. A menos que compreendamos nosso poder de criação, particularmente como se aplica a nosso veículo primário de expressão, a personalidade continuará a ser controlada pelas nossas criações. Isto ocorre dentro de cada um de nós de maneira aparentemente inofensiva e, às vezes, estranha.

As partes mais difíceis e obscuras do subconsciente, que a tudo qualifica, estão construídas sobre formas-pensamento negativas e inconscientes. Os próximos artigos desta série, CONOCETE, ilustrarão como isto tudo funciona na ira, orgulho, inveja e nos outros chamados Sete Pecados Capitais que influenciam, direta e indiretamente, as personalidades “normais”. Veremos o que podemos aprender e resgatar do nosso subconsciente.

 

Tradução: Cláudia Avanzi

 

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