A MENTE NEUTRA

A neutralidade surge de um estado de unidade. Não se refere a tolerância, esforço, controle ou
cálculo. É o estado da inteligência humana quando não está sob a pressão da ambição ou do
controle interno. A Mente Neutra é a verdadeira inteligência do ser humano que abraça sua
humanidade e sua divindade. A postura, por si só, libera uma força poderosíssima capaz de
transformar nosso mundo. ZR

Todo estudante sério da Verdade se vê diante de um grande desafio: adquirir neutralidade que
começa por si mesmo. Terá que romper com o hábito de avaliação e com os automatismos do
pensamento e da emoção personalizados. Deverá mudar radicalmente a forma de
compreender e manejar as informações, adotando uma percepção causal da dinâmica da vida.
Isto requer uma mente flexível que decodifica a percepção mantendo distância da identidade
pessoal.
Habitualmente, aprendemos, compreendemos e nos relacionamos por meio da mente linear
que administra eventos isolados e os imprime com significados específicos. Analisamos tudo
desta forma. Em raras exceções, utilizamos uma visão holística que em nosso trabalho
chamamos de “mente neutra” ou “mente Crística”.
Para acessar a mente neutra, é preciso transcender o apego e a separação, o precioso ego e
a identidade especial. A melhor maneira de flexibilizar a mente e sensibilizar as emoções é o
Alinhamento Alquímico. Em nossa escola, o trabalho da Introspecção tem por objetivo o estudo
das dualidades implícitas em nossas crenças e comportamentos para alcançar uma
perspectiva global. Acrescentada à experiência do Alinhamento, a compreensão desta
mentalidade polarizada leva o estudante a perceber com nitidez.
Confundimos a inteligência com a informação que reunimos pensando em fórmulas
estruturadas e valorizadas pelo coletivo. Essa informação é a mera soma de crenças, opiniões
e comportamentos humanos obtida do pensamento linear e se refere unicamente ao mundo
material e suas regras. E isto está muito longe da Inteligência do Ser. Esta forma de pensar é
transferida, infelizmente, ao mundo sensível. Não existem emoções ou percepções em nossa
vida que não envolvam pensamentos de avaliação e de rotulação.
A dinâmica está construída sobre as dicotomias de bom-mau, útil-inútil e cômodo-incomodo.
Esta dinâmica nos guia, protege e premia, mas somente sob o aspecto do mundo físico.
Mesmo os pensamentos matemáticos ou filosóficos se enquadram nestes parâmetros e a
“meditação” cai no mesmo padrão, incentivando a “ausência” de pensamentos. Infelizmente,
esta postura desvaloriza a inteligência e faz com que seja impossível a elevação dos
pensamentos e, portanto, o refinamento da humanidade. A mente se limita ao nível da
concretude – inerte e categórica.

Parar a mente, como orientam certas tradições, é impossível. Seria como se evadir da função
essencial do ser humano e do propósito da encarnação. A inteligência humana foi criada para
acessar mundos e níveis de realidade e atuar como ponte entre eles. Estamos destinados a
desenvolver uma mente flexível, capaz de funcionar em diferentes níveis.
O trabalho de um aspirante é adotar uma postura de neutralidade que inclui os excessos,
abrace os opostos que governam nossa visão e transcende tudo isto com sensibilidade, com

uma mente holística ou holográfica que se conhece como a mente neutra ou a mente Crística
(sem conotações religiosas).
Para compreendê-la, é necessário entender como funciona a mente comum.

A mente comum e o pensamento
Todos os dias, a mente cataloga e associa. Vê-se obrigada a emitir julgamentos, mesmo que
sejam momentâneos para nos orientar adequadamente quando atuamos em sociedade.
Responde ao desejo de compreender, comunicar e pertencer. Envolve consenso. Qualquer
atividade, inclusive a percepção de uma planta ou uma árvore, utiliza o mesmo mecanismo:
avaliar ou identificar baseando-se na linguagem física e emotiva comum.
O pensamento revela um aspecto muito restrito da inteligência, mesmo tendo se tornado o juiz
e o guardião da nossa persona e do nosso mundo. Sabe somente medir polaridades e
descreve o aparente, mesmo que se trate de emoções. Percebe cada coisa individualmente,
encaixando-a rapidamente em algum conjunto. Contempla, maneja, interpreta, deduz e filtra o
que os sentidos e opiniões constatam, refletindo um legado histórico ao adaptar e medir
elementos de forma apropriada.

Na Alquimia Interior, ensinamos a perceber com flexibilidade em lugar de encaixar. Para
manejar e modular energias é preciso recorrer ao Foco Pessoal de Consciência claro e
consciente (e.book CEP, “Cuerpos de Energía Personal”). Sem entrar em intelectualismo ou
emocionalidade, aplicamos a observação que reconhece as causas duais. Vê além.
Trata-se da inteligência sensível ao invés de cálculo ou dedução. Liberar a mente concreta da
sua prisão categórica para revelar o poder verdadeiro da inteligência, cuja natureza é a
neutralidade. Assim, nos aproximamos da transparência que permite a manifestação do Ser
individualizado.
Não podemos manifestar o Ser e ver o que É sem franquear as fronteiras da nossa identidade
temporal. E, já que, para ser de alguma utilidade neste mundo, necessitamos do ego, no
processo da estruturação pessoal é preciso flexibilizar sem perder as informações.
Infelizmente, a pessoa automaticamente resiste em sair dos seus hábitos de dualidade, uma
vez que seus sentidos continuam apegados a uma visão polarizada da realidade. É difícil
reconhecer a natureza dual. Material e espiritual. Seu pensamento continua a vacilar entre o
bem e o mal, bom e mau, branco-preto por um longo tempo. Geralmente, consegue aumentar a
tensão e a frustração, julgando-se em lugar de corrigir-se
Vamos devagar. Comecemos a compreender a sensibilidade.

A sensibilidade
A pessoa normal confunde sensibilidade com emoção e sentimento porque não tem outra
perspectiva além do seu corpo e da sua realidade material. Por isto, o Alinhamento Alquímico,
que ensina a experiência da percepção e mobilização energética, é o primeiro passo.
A sensibilidade é o aspecto sutil do ego que está por trás das crenças. As sensações
produzidas por crenças, travestidas de matizes emocionais, refletem valores subjetivos. As
emoções concedem coesão e qualidade. Dentro da cultura popular, tudo adquire categorização
pessoal. Assim, entende-se como “amor” todos os tipos de apegos, controles, condicionantes e
transações quase comerciais.
Livrar-se do personalismo talvez seja a coisa mais difícil a fazer. Desfazer-se das referências
significa, para muitos, arriscar-se a viver uma vida sem graça. A conexão com a realidade

maior não ocorrerá até que se dê o salto no vazio, aparentemente apoiado apenas na
experiência direta (a fé) da Presença Interior.
Como seria uma sensibilidade neutra? É a experiência direta da Inteligência que inclui
sensibilidade supra emocional.

A mente neutra
A natureza do Eu é ver-sentir como um estado de percepção-atuação constante. A Mente
Neutra é a Inteligência real do ser humano conectada a vários níveis de sensibilidade e
manifestação.
O tempo é um reflexo da matéria e da polaridade (linearidade) do pensamento. Na mente
neutra, ainda que consista da compreensão de todos os tempos, o tempo não é um fator que
isola.
Por exemplo, vemos-sentimos em momentos de grande júbilo, de intensidade energética
parecidos a um “despertar”. Neste instante, vemos, sentimos e sabemos simultaneamente.
Chamamos a isto de insight, uma faísca de percepção que inclui as faculdades concretas de
compreender com a mente e sentir com as emoções. Uma vez conectados com este estado de
ser unificado, percebemos a Presença e a personalidade concomitantemente.
O aspecto material sempre se impõe sobre o sutil enquanto estamos em um corpo, embora um
não devesse excluir o outro totalmente. Isto significa que os apegos, as afeições, as
conveniências e a utilidade tridimensional e física seguirão exercendo uma forte atração até
que despertemos plenamente. O processo do pensamento neutro conduz a uma maneira
diferente de ver, sentir e saber que não envolve tempo ou cálculo. Ao contrário da mente
concreta, a mente neutra não envolve tempo nem conveniência pessoal já que a percepção e a
tradução para o mundo concreto ocorre simultaneamente.
Mas, esta inteligência não é algo totalmente novo. Se pararmos para lembrar, encontramos
momentos em que temos utilizado a inteligência de maneira relaxada e expansiva, onde a
visão que alcançamos se equipara à compreensão compassiva.

Observe a mecânica da mente, da sua mente. Perceba que tudo o que vê está associado à
uma conclusão ou a um rótulo. Como exercício, observe agora as coisas – objetos, pessoas e
lugares – tal como são. Ou seja, exclua as memórias associativas. Em vez de ver a mesa da
sua casa e lembrar onde a comprou ou quem a deu, como é linda ou feia, observe pelo que é –
sua forma, textura, composição – sem as associações, sejam elas emocionais, psicológicas,
sociais ou utilitárias, para alcançar uma apreciação direta. Este exercício ensinará a usar seu
Foco Pessoal de Consciência (FPC) sem a interferência das emoções e expectativas.
Agora, observe um conflito entre duas partes, como por exemplo, a guerra interminável entre
Israel e Palestina ou o conflito na Síria ou as tensões raciais e religiosas em tantos lugares do
mundo. Busque alcançar uma percepção neutra, sem tomar partido. Perceba se é difícil
chegar a isto e em qual caso se dará conta dos seus próprios prejuízos e crenças arraigadas.
Por outro lado, se consegue alcançar o estado neutro, será a partir de uma posição de
inteligência onde sua mente se encontra relaxada. Veja os elementos que o compõem,
inclusive o raciocínio, as culpas e as virtudes de ambos os lados. Verá também a sucessão de
fatos históricos, sem se deter em nenhum deles. Ao mesmo tempo, veja algo mais.
Tenha a experiencia de uma causalidade que compreende. Sinta com a mente. A mente
adquire a faculdade sensitiva. Nesta posição, é possível ver A solução, que não é concreta,
mas “inteligente” e “sensível”. Verá que não é um idealismo vago e difuso. É algo plenamente
possível. Você sabe que a paz e a coexistência estão ao alcance. Compreende quais são os
passos possíveis. Vê o passado e o futuro possível. Esta é a visão da Mente Neutra, a

faculdade da inteligência do mediador (o conceito do Cristo) em você. Sem esta mente, não há
percepção do real. Tudo o que acreditamos ver não passam de projeções e desejos.
Passemos agora ao mais difícil: ver-se a si mesmo. Desde o início, encaramos duas
dificuldades. Como estamos acostumados a perceber a partir da conveniência pessoal
centralizada e da comodidade energética, a sensação de intensidade e deslocamento nos
incomodará. Para se ver com neutralidade, é preciso se distanciar de si mesmo e, em
alinhamento, sustentar o foco neutro, cuidando para não cair no imaginário e ilusório.
A outra dificuldade é a de perceber apesar das justificativas pessoais. Para isto, a vontade do
aspirante emerge dando permissão ou acesso à mente linear, agora desprovida dos filtros
interpretativos. Ou seja, você se observará observando.
Como fazê-lo?

Exercício de percepção a partir da Mente Neutra
º Visualize o Alinhamento Alquímico.
º Transfira sua atenção do corpo físico e da realidade habitual para a sensação de
elevação e, finalmente, para o foco estabelecido pela Presença. Acelere
vibracionalmente a frequência da sua Presença. Já não estará sujeito às referencias do
corpo ainda que acesse os sentidos e sensações. Sustente a experiencia energética
acelerada enquanto orienta os sentidos de uma nova maneira.
º A partir desta frequência mais alta, OLHE seu corpo. No início, acreditará que é
imaginário e custará a acreditar que o está percebendo. Siga em frente. Foque. O que
“acredita” estar vendo? Distancie-se das suas emoções ou expectativas. Você estará
se observando de modo neutro.
º Uma vez que tenha captado a experiência do aspecto físico, passe a sentir
emocionalmente. Neste momento, você se sentirá-sentindo a partir da perspectiva da
Presença que, agora, se ajusta a um nível dimensional superior.
º  Reoriente-se pela percepção global que vem do seu Ser diretamente. Como você
“entende” esta pessoa que percebe (você mesmo)? Permita-se captar seu lugar
presente na sua evolução. Neste momento, você estará usando a Inteligência neutra e
sua mente linear estará a serviço da inteligência superior. Não responde aos seus
desejos, nem aos imperativos da sua mente linear. Responde à “impressão-saber” que
experiencia globalmente. Permita-se vê-la e saber. Use o tempo que precisar.
º  Neste momento, intuitivamente, você compreende a dinâmica e as possibilidades
reais ao alcance do Ser (você mesmo). É uma nova perspectiva que talvez já tenha
vivenciado com outra pessoa, mas nunca consigo mesmo. Libere qualquer traço de
apegos e expectativas pessoais. Do mesmo modo que percebe as possibilidades de
paz para os lugares em conflito na descrição anterior. Anote o que percebe agora e
que não havia percebido antes. Não se detenha em análises ou qualquer outra coisa
que possa baixar o seu nível vibracional. Sustente esta energia e o estado de Ser-
Inteligência que injeta sua visão em sua mente linear. Familiarize-se com ela para
poder evocá-la a qualquer momento.
º  Agora, você está em posição para criar uma forma-pensamento protetora e
energizante para você mesmo. A seguir, volte a ela regularmente para firmar o
protocolo e aprender o manejo desta energia em particular, da forma descrita a seguir.

º  Visualize o conjunto do seu alinhamento, incluindo todas as frequências, das mais
altas às mais baixas. Projete o Tubo de luz e, a seguir, o Circuito Eletrônico. O raio azul
índigo dimensional aparece como uma cortina ao seu redor, uma muralha. Passe a
sentir-se dentro desta muralha circular, ao mesmo tempo em que projeta e sustenta a
perspectiva superior com sua visualização. Você estará em ambos os lugares (ambas
as perspectivas) ao mesmo tempo, exercendo tanto a mente neutra quanto a mente
linear concreta.


No início, poderá ocorrer confusão ou conflito, “fazendo” uma coisa e depois a outra.
Com o tempo, ao relaxar, você poderá sustentar as posturas visuais, sensoriais e sutis
simultaneamente. Aprenderá como acessar esta inteligência sem a tensão que
caracteriza a intenção linear. Poderá identificar e decodificar sua dinâmica da
percepção global e decifrá-la para aplicação concreta.
Acostume-se a sustentar esta proteção e percepção. Repita a experiência sob
diferentes circunstâncias e lugares.
Você aprenderá a aplicar a mente Crística em todas as situações. E, da próxima vez
em que se encontrar em dificuldades, perdido, confuso, irritado, com medo… recorra a
este complexo de visualização-sensação a partir da Presença e escute-veja o que
realmente está ocorrendo e como percebe as soluções. Aplique o poder a esta
inteligência para mudar a distribuição e voltagem do seu corpo emocional, mental e
físico.
Não existem desculpas para não ver-saber. Mas, leve em conta: o pensamento,
mesmo que pareça “neutro”, não mudará nada se não for acompanhado pela
experiência direta e o manejo das energias vitais e emocionais.

Se conseguir captar esta experiência energética e psicológica, estará em posição de aplicá-la
em situações da vida diária e a resolver problemas sem as exigências, esforços ou sofrimentos
que usualmente acompanham o intento. Se for capaz de se ver sem máscaras, será capaz de
se abraçar no sentido neutro da palavra. Você se “conhecerá” com a ternura do mestre que
olha para uma criança reconhecendo seus potenciais.
Ao se compreender, aprenderá a cultivar sua individualidade e autenticidade. Usará a
inteligência sem julgamentos. O pensamento se converterá em uma ferramenta a mais, a mais
importante, por ser a maneira como o seu Eu maneja, orienta e condiciona a realidade.
Diante de um problema, seu ou de outra pessoa, saberá colocar de lado suas reações
pessoais (que sempre estarão aí) e suas crenças fixas (vindas do seu ambiente) e perceberá
as causas para poder manejar as energias e obter clareza. Terá feito sua parte que é a única
coisa que lhe pede a senda espiritual na qual está entrando.

 

Conclusão
Agora, aplique as faculdades da Mente, como: (1) a mente habitual, polar, parcial, conectada
às emoções e crenças pessoais e (2) a mente neutra, imparcial, conectada a seu Ser.
Para maior entendimento e ampliação do tema, recomenda-se a leitura dos manuais e ebooks
“Cuerpos de Energía Personal” (CEP) y “Percepción”.
Nota para estudantes praticantes: Incluindo o trabalho sobre o ego pessoal, o ego não-pessoal
e o manejo dos corpos de energia pessoal (descritos nos ebooks mencionados), a
Introspecção e o Quadrado tem sido passos nesta direção. Haveria que sair da perspectiva
exclusiva dos ângulos do Quadrado para perceber a unidade da personalidade e reconhecer
seu propósito, suas características e seu potencial original.
O manejo dos CEP, que estuda a experiência direta dos campos de energia, já te dá esta
percepção.

Tradução: Cláudia Avanzi

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