Apego

APEGO

 

Em toda a criação, as formas se conectam através de filamentos vitais que emanam de uma fonte, seja o Criador, o homem, os animais, os insetos e as plantas, a terra ou sistema solar. É o cordão de prata que une nosso corpo à nossa alma. É o DNA que transmite a história de nossos ancestrais e encapsula nossa predisposição física. É o cordão umbilical que alimenta o broto. Assim, nosso mundo também está conectado a nós por ser uma manifestação das nossas energias pessoais. Estamos destinados a viver vinculados a formas de vida e às consequências dos nossos atos. Conectados e não “apegados”. O apego não é parte da Lei. É uma condição artificial criada pelo mau uso da vontade e dos desejos humanos.

 

Falemos do mundo pessoal imediato e vejamos o apego pelo que é: um hábito mental que usa a energia do pensamento para fortalecer os laços com outra forma de vida. Um costume que explora as emoções criando poderosas formas de pensamento que vinculam sensorialmente as partes envolvidas. Pode ser visto como uma apropriação cujo propósito é controlar e evocar continuidade, utilidade e comodidade. Disfarça-se de razões nobres para se sustentar na ilusão de que os seres humanos elaboram situações em troca de um aporte, exigindo direito de propriedade como recompensa por abrirmos aos nossos sentimentos.

 

A personalidade é um complexo de reações físicas e emocionais que adotamos segundo a preferência e não necessariamente pela nossa sensibilidade. É comum que as preferências se convertam em apegos. No entanto, “trabalhar-se” espiritualmente responde a uma crescente sensibilização: exige um distanciamento que não reflete raiva ou desconforto, mas uma necessidade imperiosa de participar da vida além do pessoal, incluindo o todo. Responde a um chamado à conscientização.

 

 

O Processo de criação dos apegos

 

A identidade habitual depende das nossas respostas dos sentidos físicos que desconhecem a linguagem do silêncio ou do afeto sutil e espontâneo. É algo rústico. Tudo parece ter causa e propósito material. Para conscientizar-nos, temos que adquirir controle sobre o automatismo que caracteriza a mente linear e as emoções grosseiras que detonam os sentidos na vida diária, estimulando a matéria e amarrando-nos a ela. Temos que aprender a valorizar a intuição e a captar as sutilezas transcendentes.

 

Quando nos conscientizamos desses mecanismos destrutivos que nos encurralam, tentamos corrigi-los, mas a só a intenção não é suficiente. Também não funciona ir aos extremos da abstinência ou da permuta. Voltamos aos mesmos padrões várias vezes trocando apenas um apego pelo outro, “repaginando” o que existe. Por outro lado, a autocorreção exige um trabalho sobre nossa energia em vários níveis, uma conscientização e um novo manejo que nem todos estão dispostos a fazer. Ser “consciente” é a chave. Trocar um hábito sugere incômodos e dor ou sofrimento inevitáveis.

 

Os vínculos humanos são substanciais. Compõem-se da matéria dos nossos corpos e, por isto, são tão fortes. Nós os criamos com a nossa energia física, emocional e mental, na medida em que construímos formas de pensamentos que têm peso, densidade, viscosidade e aumentam por repetição, como é o caso dos “elementais” (veja artigos sobre este tema: http://www.lamujerinterior.es/elementais-i/ e http://www.lamujerinterior.es/elemetais-ii/).

 

Com relação à personalidade, criamos extensões vitais que transmitem e perpetuam sensações, emoções e pensamentos. Para um vidente ou alguém sensível, estas formas têm a aparência de cordões ou cabos de espessuras variadas que conectam estreitamente pessoas e lugares, conforme o compromisso que existe por trás das relações.

 

Nas relações de casais, o apego produz cordões mais grossos e resistentes por se tratar de um intercâmbio vital regular. Formam-se tranças de energia-substância que facilitam a retroalimentação, intensificando o sensorial e o afetivo progressivamente. Em uma relação de profunda conexão, são criados vários níveis e alguns deles são inspiradores. No entanto, os cordões mais nocivos se formam por intercâmbio de fluidos vitais quando ocorre a experiência da união física. O que um parceiro sente é percebido pelo outro como sensação, emoção e pensamento, potencializando o poder e o controle mútuos.

 

Enquanto uma relação se mantém estimulada, estes ganchos refletem ciclos de oferta e demanda, conforme atividade física e mental dos integrantes. Assim, sem uma estimulação constante, começam a desintegrar-se trazendo sintomas de abstinência física e emocional. A relação se torna uma espécie de escravidão que exige constante atendimento e pode ser comparado a um vício. Da mesma forma que um viciado não pode viver sem a sua dose, estes casais não podem viver separados. Deixar um hábito tem como consequência a compulsão, o desespero, a ansiedade e o descontrole.

 

Quando uma relação se rompe, quebram-se os cordões e surgem os horrores da insegurança e da vulnerabilidade. Sem aquele porto seguro ou canal exclusivo, o indivíduo derrama as forças vitais por toda parte, perdido em um hiato de confusão ensimesmada. Invariavelmente, os casais se mantêm atados e, com frequência, regressam às condições indesejadas para atender e manter o ritmo do vício. A mera possibilidade de privação cria um pânico e uma dor que sustentam a convicção da carência. É neste momento que o medo se torna o sintoma principal, evocando experiências passadas e projeções de um futuro negro. Basta o medo para voltar ao hábito.

 

A identidade, assim como a relação com os outros, escuda-se sob a suposta carência, abarcando uma série de comportamentos baseados na crença de que o medo e o apego são reais. Seus cordões, agora virtuais, estendem-se buscando justificativas e satisfação.

 

O vício mais difícil de superar é o desejo que gera e estimula a sensação sexual. Pensar nisto repetidamente fomenta um impulso que se apresenta como sendo natural, sugerindo que o sexo é uma necessidade imperiosa equivalente ao amor. Quando não o têm, algumas mulheres se acreditam insatisfeitas e os homens se estimulam regularmente. Assim, ambos se entretêm com ideias de prazeres possíveis em um mundo virtual de astral baixo, onde se tecem cordões invisíveis que evocam urgência e necessidade que alimentam um clima de controle e possessão.

 

Acreditamos que, quando queremos algo, podemos obtê-lo, reduzindo o mundo sensível e psíquico a um comércio sujeito à produção e ao consumo. Cada desejo do egoísmo da personalidade é um mandato para a existência. Normalmente, usamos e exploramos uns aos outros e o ambiente, acreditando-nos importantes e poderosos. Quando despertamos a ética espiritual, reconhecemos que nada nos pertence e que o único direito que temos é colaborar com a Criação com entrega e respeito.

 

O desapego é o grande desafio para todos os que escolhem o caminho espiritual por criar conflitos enormes. Como nos distanciarmos das intensidades que representam o gozo e a felicidade em nossas vidas, os mais preciosos momentos vividos em corpo e emoção? Como nos desapegar das pessoas que amamos profundamente? Como transformar a qualidade deste afeto, honrando a amplitude do nosso interior?

 

Quando se vive sentimentos e panoramas internos a sós e em silêncio, quando se vislumbra a serenidade e a exaltação em meio à simplicidade e à sensibilidade refinada e, por outro lado, nos vemos assoberbados por pressões externas, exigências, dependências e superficialidade… surge uma crise. A pessoa consciente converte-se em buscador e altera o rumo de sua vida. Descobre sutilezas e outros planos de inteligência. Deixa para trás as demandas e excessos que ele mesmo cultivou para abrir-se para o presente em humildade. Entra em um processo onde transcende os sentidos sem minimizar nem apagá-los. Reconhece o que tem sido sua realidade e desperta.

 

Como trabalhar a sensação impressa no corpo e nas emoções? Como controlar o desejo insaciável que nasce na pele? Como manifestar um distanciamento pacífico? Como lidar com a autonomia do companheiro?

 

O egoísmo e a arrogância nos convencem que nossa força de vontade é tão poderosa que o mero desejo de cortar um vínculo é suficiente, como se fosse uma separação legal. A única maneira que parece reunir força suficiente para consegui-lo é a raiva e o rancor ou recorrer a outras pessoas para resolver nossa vida e energia pessoal. Alguns círculos espirituais prometem ajuda através de anjos e arcanjos de crença popular que refletem nossas exigências e, supostamente, cortam os laços por magia ou encantamento com uma espada de luz ou afirmação. Como se fosse tão simples como pronunciar “Eu te liberto!”. Outras organizações nos convencem que um fogo redentor, uma oração ou algum milagre poderá eliminar males que os apegos geraram, criando assim mais e mais engano, ilusão, dependência e escravidão.

 

Como seria possível anular ou segmentar nossa energia de vida sem assumir a responsabilidade sobre a nossa exploração e sem transformá-la? Seria como um menino que, dizendo somente “sinto muito”, recebe o abraço indulgente dos pais, o que lhe sugere que tudo acabou bem. Seria como comprar indultos da igreja na Idade Média. Mas, não somos crianças e não estamos na Idade Média.

 

A liberdade não é possível sem a dissolução de filtros e interpretações que condicionam a energia. É exatamente o oposto da escravidão que, por algum tipo de autoindulgência ou conveniência, nubla a percepção do que é real para satisfazermos o momento. É triste ver quantas pessoas preferem ser estimuladas por ciclos de excitação e medo do que pela liberdade e inspiração.

 

 

Solução

 

O apego não se dissolve. A energia que o define se transforma e circula. Requer esforço e disciplina, o que para a personalidade é muito difícil. Somente ocorre a partir da Vontade do criador em sintonia com o poder da sua Presença.

 

O trabalho de dissolução do apego não é fácil nem simples. Minha intenção neste artigo e no meu blog é familiarizar o leitor com a dinâmica da criação de formas-pensamento e os cordões psicofísicos para minimizar ou evitá-los, para compreender o sofrimento que causam e a escravidão em que se vive em nome do prazer e da felicidade e para expandir a percepção e a possibilidade de uma vida em liberdade.

 

 

Aplicação

 

O único poder superior capaz de transformar as energias psicofísicas é o Poder-Vontade do Eu. Nosso propósito é identifica-lo e isolá-lo da dinâmica automática do pensamento. É necessário discernimento e determinação e o domínio dos campos de energia pessoal.

 

A ferramenta que utilizamos em nossa escola para mudar a qualidade da energia é o Alinhamento Alquímico (http://www.lamujerinterior.es/o-alinhamento-alquimico/).

 

A intenção aqui é retirar as justificativas ao impulso do apego, distinguindo o significado da qualidade energética (ver CONHECE-TE XII O SALTO em http://www.lamujerinterior.es/query=português).

Primeiro deixamos de atiçar o fogo da memória ou do desejo. Não se trata de distração, mas de observação, foco e sustentação.

 

Segundo, fazemos uma Introspecção (ver CONHECE-TE II A PRÁTICA DA INSTROSPECÇÃO em http://www.lamujerinterior.es/query=português).

 

Terceiro, evocamos as energias dos nossos três corpos para isolar o significado (mental e emocional) que potencializa o estímulo (físico). O foco pessoal da Consciência (http://www.lamujerinterior.es/e-books-manuales-de-estudio/), sem a influência envolvente da personalidade, liberará a energia aplicada sobre o significado pessoal.

 

Finalmente, a energia circula pelo corpo de forma neutra, como um estado de ser natural e espontâneo, sem estar presa a uma persona ou condição. Agora, está disponível e à nossa disposição para ser usada apropriadamente.

 

 

Tradução: Cláudia Avanzi

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